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Economia – Política Econômica do Governo Dutra

 

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Política Econômica do Governo Dutra (1946-1950)

Junho de 1947 – sistema de licenças prévias

Substituição das Importações e Crescimento Industrial

Plano SALTE

Resumo da Política Econômica Interna do Governo Dutra

 

Política Econômica do Governo Dutra (1946-1950)

 

A política econômica do governo Dutra teve dois marcos relevantes:

- 1947/1948 – fim do câmbio livre e adoção do contingenciamento das importações

- meados de 1949 – substituição do Ministro da Fazenda – mudança de uma política econômica contracionista e ortodoxa para outra, mais flexível.

 

Estes dois marcos fazem parte do MESMO processo de progressiva desmontagem da visão que norteou a visão do governo Dutra.

 

 

Conjuntura

O Brasil passaria por crises sucessivas do balanço de pagamentos nos primeiros anos do pós-Guerra, o que levaria o país a abandonar o modelo liberal e adotar um modelo de desenvolvimento industrial com crescente participação estatal.

 

Inicialmente esta participação foi essencialmente indireta, através da adoção de controles cambiais e de importações e a criação de um aparato regulatório em diversas áreas.

 

No início do governo, as perspectivas eram de uma rápida reorganização da economia mundial, de acordo com os princípios liberais de Bretton-Woods. Mas, esta reorganização não ocorreu de maneira rápida, e as esperanças e expectativas do governo brasileiro foram sendo frustradas ao longo do tempo.

 

Ao final da Guerra, as autoridades brasileiras viviam uma “ilusão de divisas”, apoiada na percepção de que o país estava em situação bem confortável com relação às suas reservas internacionais.

 

As expectativas brasileiras no pós-guerra eram:

- Haveria fluxo significativo de investimentos estrangeiros, favorecido pela política liberal de câmbio;

- O preço do café subiria, pois os EUA haviam eliminado em 07/1946 o preço-teto sobre o produto.

 

O governo Dutra identificou a inflação como o maior problema do país, causada pelos déficits no orçamento da União. O tratamento considerado adequado era uma política monetária e fiscal severamente contracionista.

 

A taxa de câmbio foi mantida fixa em torno de Cr$ 18-19 por US$. Os controles cambiais foram relaxados em 1946 (eliminando algumas restrições que existiam há 30 anos).

 

O câmbio estava sobrevalorizado, e os objetivos da sobrevalorização eram:

                   - Atender a demanda reprimida por matérias-primas e bens de capital para reequipar a indústria, desgastada durante a guerra;

                   - Forçar a queda de preços industriais, através do aumento da oferta de produtos estrangeiros importados a preços competitivos;

                   -Estimular o ingresso de capitais e liberalizar a sua saída, na expectativa que isso funcionasse como fator de atração de recursos.

 

         O governo avaliou mal a situação das reservas. Em 1946, metade das reservas era considerada estratégica, estava em ouro. A outra metade (US$ 235 milhões estava em livras esterlinas bloqueadas) e apenas US$ 92 milhões eram realmente líquidos e utilizáveis em países com moedas conversíveis.

 

         Uma dos origens do problema: Brasil tinha superávit com área de moedas inconversíveis e déficits com EUA e outros países de moeda forte.

 

         Também, no pós-guerra não houve afluxo de capitais públicos ou privados para o Brasil, que não era prioridade no novo contexto global.

 

1.       A taxa de câmbio sobrevalorizada, ao desestimular a demanda pelo produto, poderia ser usada para sustentar os preços internacionais do café.

2.       O governo temia que alterações no câmbio aumentassem a inflação doméstica.

3.       40% das exportações eram para as áreas de moedas inconversíveis, enquanto o café representava mais de 70% das exportações para as áreas de moedas conversíveis, então superávits comerciais adicionais na área inconversível apenas pressionariam a base monetária.

 

Junho de 1947 – sistema de licenças prévias

        instituídos controles cambiais e de importações

        BB disponibilizaria divisas de acordo com escala de prioridades

        Controle não foi rigoroso

        Sistema de licenças prévias que, na prática, vigoraria até a liberalização ocorrida no início do governo Vargas em 1951 e, na legislação, até a instrução 70 da SUMOC em 10/1953.

        Resultado indesejado – perda de competitividade das exportações, especialmente em relação aos mercados europeus, que iriam desvalorizar suas moedas em 1949

        Contração das exportações (exceto o café) entre 1947 e 1950

 

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Substituição das Importações e Crescimento Industrial

        O sistema de controle de importações acabou sendo importante para o crescimento da indústria no pós-guerra

        Resultou num estímulo considerável à implantação de insdústrias substitutivas de bens de consumo, que passaram a ter proteção cambial dupla – de um lado a reserva de mercado, de outro o custo da operação. Esta foi a fase de implantação das indústrias locais de eletrodomésticos, por exemplo.

 

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Três efeitos do câmbio sobrevalorizado

1.       Efeito subsídio – preços relativos artificialmente baixos para bens de capital, matérias-primas e combustíveis importados

2.       Efeito protecionista – viabilizado pelas restrições às importações de bens competitivos

3.       Combinação dos dois primeiros efeitos – alteração das rentabilidades relativas; estimula a produção para o mercado local em relação à produção para o mercado externo

 

Além disso o crédito para a indústria foi ampliado no período 1947-1950, o que é meio contraditório, pois em 1947/1948 o governo estava empenhado em adotar políticas austeras.

 

O avanço da industrialização foi um efeito INDIRETO dos controles cambiais e de importação e foi levado adiante principalmente pelo SETOR PRIVADO

 

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Plano SALTE

        Única iniciativa de intervenção planejada do governo Dutra

        Resultados pífios

        Não houve formas de financiamento definidas

 

 

Resumo da Política Econômica Interna do Governo Dutra

Até 1949, marcadamente ortodoxa; inflação identificada como o maior problema e diagnosticada como excesso de demanda agregada, a ser combatida por POLÍTICA MONETÁRIA contracionista e POLÍTICA FISCAL austera para eliminar déficits no orçamento

 

Enorme déficit público em 1946, seguido de 2 pequenos superávits em 1947 e 1948

 

POLÍTICA MONETÁRIA pressionada por expansão do crédito feita pelo Banco do Brasil

 

Ponto de Inflexão na POLÍTICA MONETÁRIA – substituição de Correa e Castro por Guilherme da Silveira no Ministério da Fazenda. Liberalização. Grandes déficits em 1949 e 1950. Expansão do crédito pelo BB. Crescimento acentuado do PIB.

 

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